Contos Esquecidos

Uma nova aventura se inicia

Encontros em Never Tavern

30 de Ches de 1488 CV

No que deveria ter sido um dos últimos dias de inverno, o sopro de Auril era inclemente. Aqueles ligados à natureza e os sábios percebiam que, como no ano anterior, o inverno estava sendo mais longo. Também, o mundo estava sob mudanças.

Os orcs do Reino de Muitas-Flechas haviam sido vencidos pela Liga das Fronteiras Prateadas e estavam espalhados pelo Norte novamente. Porém, a Liga não mais existia após a guerra. Disputas e acusações internas separaram as cidades que antes se uniram contra os orcs.

A ameaça dos Shadovares não mais existia, nem a bela cidade élfica de Myth Drannor após a queda da Cidade das Sombras sobre a capital em 1487 CV. A Trama da Magia parecia ter mudado, e com isso muitas terras vindas de Abeir deixavam Toril. Abeir-Toril deixava de ser uma pela segunda vez, uma segunda Separação.

O elenco

O mundo mudava. Para melhor ou para pior era difícil dizer. Para Sora Verthisalthurgiesh, que vagava atrás do assassino que matou seu amante, a perda de sua terra natal, Tymanther significaria não apenas não poder mais ver seu amor que fora assassinado, mas também sua família. O sobrenome ainda era forte, os draconatos mercadores eram uma família nobre que fez sua fama, favores que Sora ainda poderia requisitar. Mas não estavam mais ao seu lado se perdessem a guerra. Sua vingança seria tudo que lhe restaria dessa vida.

O pequeno Corrin Greenbottle havia deixado o mosteiro em Luiren para seguir pelo mundo, provando aos seus superiores que conseguiria sobreviver mesmo com seu vício em bebidas. Com uma memória fotográfica para locais, decorou um mapa que o levou ao Norte. Achava que os ares gelados seriam bom para seu treinamento e o dariam foco, mas encontrou um amigo de copo. Bom para suas habilidades como mestre-cervejeiro.

Feralas, o Tatuado, diferente de outros elfos da floresta, tomava gosto pela vida urbana, em especial as bebidas. Um protetor nato vindo da Floresta Alta, abençoado por Silvanus ao tê-la defendido da profanação, vagou ao leste em direção a uma cidade na Costa da Espada que buscava se recuperar. Poderia aplicar seus dons para trazer um ar rural e proteger aquele lugar, talvez um parque dentro da cidade. Era uma ideia que o apetecia. Fora isso, a floresta próxima tinha sido palco de lutas contra mortos-vivos e ele ouviu falar de um vilarejo que havia sido soterrado pelas cinzas do Monte Hotenow. Talvez fosse um bom lugar para reviver.

As meditações de Auriel Coldhand mostraram-lhe um sonho, uma premonição, talvez? Poderia o que ela viu acontecer? Seria destino ou seria possível evitar? Ela mesma era uma pária, uma meio-elfa, e não se encontrava em casa fora das florestas, embora sentisse que deveria estar ali, naquela cidade que se reerguia das cinzas da batalha contra os Magos Vermelhos de Thay que tentaram domar poderes ocultos ali próximos. Neverwinter era uma cidade com problemas, uma cidade que pedia por heróis e que os agrupava.

E quem melhor que Ander Bonecreek para reunir um grupo tão diverso de pessoas? Vindo de Luskan, tinha um talento especial em encontrar pessoas e coisas perdidas, como ele assim preferia dizer. Magro e alto, misterioso, acompanhado por um corvo. Havia mistério em seu passado e um magnetismo pessoal sobrenatural que facilitava sua comunicação. Não haveria uma cidade em que ele não pudesse se virar em arranjar contatos.

O mesmo não poderia ser dito de Ammon, o paladino de Torm. Vindo da distante Calimshan ao sul, lutava contra o inverno que lhe doía todos os ossos, especialmente os seus chifres. Sua ancestralidade diabólica poderia afastar as pessoas, mas ele buscava o melhor em seus atos e nos outros. Torm o havia escolhido, por que não levar sua redenção aos que estivessem dispostos a ouvir?

Tão estranha quanto, uma elfa da floresta que vinha de uma terra desconhecida por muitos. Talvez o tiefling e o halfling tivessem ouvido falar em alguma taverna, mas uma ilha de amazonas? Difícil de acreditar, mas Fálbala dizia ser verdade. Havia deixado esposo e filho na ilha enquanto peregrinava pelo mundo como emissária das Lobas Mercenárias, buscando recrutar mulheres para o treinamento. Seu jeito e maneirismos eram tão diferentes que chamavam mais a atenção do que o tiefling paladino e a draconata ranger por onde passavam. Isso e o fato de assumir que havia removido um seio para não atrapalhar no manuseio do arco. Quem já a viu atirar sabe que mesmo que ela não o tivesse feito, seria do mesmo jeito perigosa com a mira.

A missão

Ander havia juntado esse bando de pessoas inacreditáveis em uma nova e pequena taverna, Never Tavern, com um propósito: um anão de certa fama em Neverwinter procurava um grupo que pudesse escoltar uma carruagem com equipamentos até Phandalin. Gundren Rockseeker e seu amigo, o ex-capitão da Guarda dos Grifos de Neverwinter Sildar Hallwinter os colocaram a par dos fatos.

A vila de Phandalin havia sido destruída há muitos anos por um ataque de orcs. O local ficou abandonado ao pé das Montanhas da Espada até uns 3 ou 4 anos, quando novas minas foram abertas e a prata começou a fluir. Gundren e seus irmãos descobriram uma nova mina de prata e precisariam de escolta para o equipamento de mineração. Precisava ir à frente para os preparativos com os outros Rockseeker.

Contrato assinado, entregariam o equipamento para a loja Provisões Barthen, em Phandalin. Porém, aguardaram dois dias até que os equipamentos estivessem prontos e para enfim partir. Parecia fácil: uma missão de escolta pela Estrada Alta, seguindo pela Trilha Triboar. Nada de mais, talvez o inverno atrapalhasse e só. No pior dos casos encontrariam orcs dissidentes do Reino de Muitas-Flechas.

Problemas na Trilha Triboar

A escolta dos equipamentos de mineração de Gundren Rockseeker seguia sem problemas pela Estrada Alta. Andando a pé ao lado da carroça, seus pés doíam com a neve que caía. A respiração era pesada e os pulmões ardiam com cada tragada de ar. Um dia se passou sem problemas, sem encontros na estrada. Isso os deixou preocupados.

Eis que ao 5º dia de Tarsahk de 1488 CV seus temores se concretizaram: problemas na estrada: dois cavalos mortos ocupavam o caminho de sua caravana. Sora e Auriel já vasculhavam o redor, antevendo uma emboscada. Os goblins que a armaram, porém, foram mais rápidos e as flechas voaram.

Eram 6 goblins disparando suas flechas da mata. Algumas atingiram Feralas, mesmo com Fálbala jogando-se em sua frente para protegê-lo. Não fosse a cura de Auriel, o elfo poderia ter encontrado seus antepassados. Sora, Corrin e Ammon partiram para cima dos goblins, enquanto Ander ficava à distância disparando seus projéteis bruxuleantes.

As espadas de Sora abriram um talho na garganta de um dos goblins. Porém, o mesmo conseguiu fugir mata a dentro. Foi seguido por outro sobrevivente logo em seguida, quando perceberam que não seriam páreo para aquele bando.

Ander pode perceber que os cavalos traziam a marca de Neverwinter e pertenciam a Sildar e Gundren. Sem titubear, seguiram a trilha de sangue deixada pelos goblins mata adentro, sendo guiados por Sora, Corrin e Feralas.

E foram os guias que conseguiram perceber armadilhas deixadas pelos goblins. Evitaram ambas, mas isso era preocupante: não deveriam ser apenas um grupo pequeno. De fato, Corrin percebeu que pelas marcadas deixadas, deveria haver pelo menos uma dúzia. Não eram mais bandidos de estrada, mas sim goblins entocados em algum lugar. Um bando de guerra? Essa pergunta os deixava ainda mais preocupados.

ambush.jpg

O esconderijo dos goblins

A noite ainda era clara quando chegaram a uma caverna, seguindo a noroeste. Um córrego saía da caverna e sua entrada possuía estacas para frente e para trás. Um estreito caminho dava entrada pela parte seca e sem as estacas. Sora leu os rastros novamente e confirmou: era a caverna dos goblins. E mais: havia lobos ali.

Mal colocaram os pés dentro da caverna e foram percebidos por sentinelas fora da caverna, entocados entre arbustos. Conseguiram divisar entre eles um goblin com a garganta enfaixada.

Conseguiriam entrar na caverna sem que os sentinelas do lado de fora alertassem os outros goblins sobre a invasão?

Comments

bruno_baere bruno_baere

I'm sorry, but we no longer support this web browser. Please upgrade your browser or install Chrome or Firefox to enjoy the full functionality of this site.